
Pai de um estilo artístico muito peculiar,geométrico e complexo, viria a transformar-se no grande artista do Socialismo Russo...
Porque a realidade do subúrbio não tem que ser necessariamente má!

Ao contrário do que se possa pensar, o meu censor é, acima de tudo, um óptimo conselheiro. A sua magnanimidade do meu censor faz com que me considere uma pessoa agraciada pela sorte. Por vezes, as ideias fogem-me como vultos fantasmagóricos na noite. (Porque será que isto traz reminiscências daqueles saudosos livros da colecção Arrepios…?) O meu estimado censor incentiva-me a desenvolver um tema acerca da primeira palavra que me ocorrer, de forma espontânea e fluida. Claro que para tal é necessário treino, e quanto mais frequente melhor. Gostaria de tornara-me como José Vilhena, não relativamente aos temas, mas à sua criatividade. Ao contrário desses humoristas de imaginação limitada, cuja duração na ribalta é igualmente limitada, este senhor é um exemplo de longevidade criadora. Este endereço explica a sua vida e obra http://www.historia.com.pt/JoseVilhena/Index.htm. Vilhena foi preso por três vezes e a censura perseguia-o.
Meu caro South Side Missiles, certamente não fico chocada com o post sobre Peaches. A senhora que aparece no vídeo não mostra nada que os restantes elementos do sexo feminino não possuam. Pessoalmente, prefiro utilizar o Youtube com outras finalidades. Aliás, arrisco-me a afirmar que esse website foi a terceira invenção a nível electrónico que me é mais útil, apenas precedida pelo microondas e pala internet. Uma criança em férias, sozinha em casa, seguramente sabe dar o devido valor a um microondas. Para ela, não há como retirar alimentos do congelador para o microondas e de seguida para a mesa, tal e qual uma linha de montagem. É fácil, rápido e eficaz. A propósito, desconheço que objecto se encontra dentro do microondas que a figura mostra. Caso alguém queira experimentar colocar lá um cd, este move-se em saltam faíscas azuis. Foi um magnífico espectáculo que já tive o privilégio de presenciar.

Todos passamos por momentos difíceis, por acontecimentos complicados de encarar e de entender. Uma dessas realidades expressa-se quando nos deparamos com a morte de alguém querido. Apesar de sabermos que a morte é o destino de todos incomoda e quando se apresenta no nosso pequeno mundo devora o optimismo da vida com dúvidas que nos dilaceram e com inquietações vertiginosas. A morte cala, silencia. Essa ausência é a mais ruidosa de todas. Quando perdemos alguém, cria-se uma névoa profunda que transporta esse abismo de ausência para uma irrealidade. Contudo, cada vez que nos aproximamos para confirmar, somos sugados para a realidade e caímos novamente, cada vez mais fundo. É difícil pôr um ponto final numa história que constitui uma vida de alguém, impossível. O nosso dever é sempre mudar de parágrafo e continuar a escrever, impedindo o seu fim. Relembrar e conservar.
O Fédon de Platão ensina-nos que a morte não é mais do que a separação da alma do corpo. Assim, partindo da sua teoria das ideias que delimita dois mundos, um sensível e um inteligível, sendo o primeiro um reflexo plural da singularidade do último, chega à evidência de que o filosofar é um “treino de morrer e de estar morto”. A alma separada do corpo poderia conhecer todas as Ideias puras, únicas, imutáveis e autónomas do mundo inteligível sem a mediação do corpo que, devido à sua natureza, a filtra de forma errónea e sensorial. Uma vez livre, o espírito alcançaria as ideias, logo o filósofo deve alegrar-se perante a sua morte, concretizando a sua própria essência. Contudo, será o homem apenas um ser gnoseológico? Mais: tal é a única característica do filósofo? Não estarão também as esferas emotiva, social e ética na algibeira? Nenhum homem é uma ilha. (Só se poder-mos incluir o super-homem. Mas que tem ele de humano?)
As diversas religiões tentam dar respostas que amparem a incerteza e a dúvida. As opiniões dividem-se, entre outras, entre um bilhete para o paraíso e uma nova viagem através da reencarnação. Tudo depende da fé, da crença. Se não acreditamos em nada disto, ficamos à deriva, num eterno desassossego sobre o destino das almas daqueles que nos abandonaram. Sinceramente, aquilo que mais me acalma é o pensamento de Leibniz quando afirma que aquilo que poderá acontecer não é uma metempsicose, mas mais uma metamorfose. Escolho crer que todos nós fazemos parte de uma coesa monadologia, numa teia de ligações recíprocas, que se tocam a cada instante. O milagre é de origem humana, da força anímica que nos une a todos. Isto é uma ironia nos tempos que correm, mas a ilusão também pode ter os seus benefícios, entre eles, manter a fé no Homem.
Como disse Epicuro: “A morte não é nada para nós”. Uma vez vindo, não a sentimos. Resta-nos acalmar os espíritos e continuar o legado daqueles que partiram. Nos nossos sonhos nunca faltará um lugar à mesa. No nosso mundo, o telefone continuará sempre a tocar e do outro lado estará a voz que queremos ouvir. Não são as fotografias que recordam, essas apenas ajudam o olhar. Somos nós que vivemos por aqueles que nos deixaram. Mas não se deixaram a si próprios, não o podemos permitir. Uma boa gargalhada é o melhor remédio, mesmo que acompanhada por lágrimas. Cheira sempre a presença."Pum, pum, pum"